Atualidades para Concurso 2017: a América Latina

Atualidades na América Latina

Saudações, concurseiro(a)! Como vão os estudos?

Estamos de volta com o nosso especial de Atualidades para Concurso, que iniciamos falando sobre a Política no Mundo. Essa iniciativa visa lhe dar elementos consistentes para se preparar para uma disciplina que está difusa em qualquer prova de concurso (mesmo aquelas em que o nome “atualidades” não está presente).

Como disse anteriormente, através do estudo de atualidades você terá boas chances de melhorar seu desempenho em provas de Geografia, Língua Portuguesa, Redação, Direito, História e muitas outras.

LEIA: Como estudar para acertar qualquer questão de Atualidades num Concurso

Hoje vamos abordar o cenário da América Latina, trazendo elementos gerais para você compreender o que ocorre no continente em que o Brasil está inserido. Já vi muitas questões de concurso abordando diretamente esse tema, por isso resolvi trazê-lo aqui.

Vamos lá!

O cenário na Venezuela

Atualidades na América Latina

A Venezuela enfrenta, atualmente, uma das suas maiores recessões econômicas, que tem como consequências a perda de direitos humanos e escassez de itens básicos para a população. Em setembro de 2015, o Banco Central da Venezuela divulgou, depois de um tempo de se pronunciar, que a inflação no país chegou a 141%.

A inflação acumulada nos primeiros meses daquele ano chegou a 108%, chegando a ser o país mais inflacionado do mundo. O petróleo, que representa mais de 90% das exportações do país, teve uma grande queda de preços no mesmo ano. O presidente Maduro decretou estado de emergência.

Entretanto, alguns analistas e estudiosos dizem que os dados do Banco são equivocados, e que a inflação venezuelana deveria estar em torno de 392%. O governo da Venezuela afirmou que a situação econômica que vive é na verdade uma “guerra econômica” cujos violões são os empresários e governos estrangeiros que são contra a “Revolução Bolivariana”. Já a oposição diz que a política de Maduro é equivocada, principalmente, no quesito de preços e controle do câmbio.

Membros da oposição a Maduro tentam convocar um referendo obrigatório contra o presidente, assim como é feito no Brasil com o mecanismo do impeachment, lá é preciso de assinaturas a favor do referendo.

A crise chegou a agravar a escassez de insumos médicos e medicamentos. Em janeiro de 2017, o Parlamento declarou “a pior crise humanitária em saúde da história”. Vinculada ao pronunciamento, estava a exigência de acesso a uma lista de medicamentos básicos e restabelecimento de publicação do boletim epidemiológico.

Além disso, o governo chegou a anunciar o racionamento de energia elétrica em 10 estados, com quatro horas de racionamento de energia por dia. O reservatório da hidrelétrica Guri está em péssimas condições. Ele é responsável por gerar 20% da eletricidade do país. Também foi decretado a mudança de fuso horário com o adiantamento de 30 minutos, para atenuar a crise energética, fazendo referência ao governo de Hugo Chávez, que instituiu a medida em 2007.

O Mercosul no cenário da América Latina

Atualidades para concurso - América Latina

O Mercosul (Mercado Comum do Sul), formado pelo Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai, deu até o dia primeiro de dezembro de 2017 para a Venezuela ratifique as normas comerciais, políticas, democráticas e de direitos humanos, sob pena de ser excluída caso não o faça.

Segundo artigo do professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, o protecionismo do Mercosul não faz sentido para a economia venezuelana, porque, ao contrário do Brasil, por exemplo, o país não tem interesse de defender sua indústria da competição chinesa ou norte-americana, porque a Venezuela só exporta petróleo, e importa tudo que consome.

Para Celso Amorim, a exclusão da Venezuela está também vinculada à ideologia contrária ao chavismo ou bolivarianismo (este, por vezes, atribuído aos governos Lula e Dilma) parece ser o fator dominante, para ele, a exclusão do país do Mercosul não é a saída, e seria um auto boicote ao próprio grupo:

A situação na Venezuela é objeto de preocupação legítima para toda a América do Sul. Aplica-se aí, ao lado do princípio da não intervenção, a norma de comportamento que, quando ministro das Relações Exteriores entre 2003 e 2010, qualifiquei como “não indiferença”. O caos econômico que vive aquela nação irmã, combinado à dissensão política extremada, na qual os dois lados têm sua parcela de responsabilidade, tem o potencial de levar o país a um conflito de extrema gravidade. A psicologia do “cerco” nunca produziu bons resultados. Isso não quer dizer que não seja legítimo pressionar, por meios diplomáticos normais – como ocorre em tantas outras “inadimplências” no Mercosul – para que Caracas gradualmente vá cumprindo com suas obrigações junto ao bloco. A menos que o objetivo seja outro: o de contribuir para uma desestabilização maior da Venezuela, sem atentar para as terríveis consequências que isso acarretaria. De quebra, o Mercosul sairia debilitado, correndo o risco de implodir a maior empreitada de integração (não confundir com meras áreas de livre-comércio) no mundo em desenvolvimento.

Celso Amorim

Para o professor, o passo interessante que o Mercosul tem responsabilidade de dar, para o cenário da América Latina, é reforçar a necessidade da democracia na Venezuela, e ajudar a salvar vidas no país.

Ele afirma:

Com o pior desempenho econômico e a maior taxa de inflação do mundo, a Venezuela, rica em petróleo, está cada vez mais afundada em uma crise humanitária que levará anos, senão décadas, para superar. Uma parcela significativa da população não tem mais condições de ter três refeições diárias. Até mesmo remédios básicos estão em falta em hospitais públicos por todo o país e pessoas com doenças crônicas que precisam de tratamento são forçadas a emigrar para sobreviver. A pilhagem de supermercados é cada vez mais frequente. Portanto, Brasília e Buenos Aires deveriam encabeçar um esforço internacional para pressionar o governo Maduro a permitir a entrega, em grande escala, de medicamentos básicos em hospitais. Solucionar a crise humanitária não é meramente uma questão moral, como também faz parte do interesse nacional de Brasil e Argentina: quanto mais tempo perdurar o problema, maiores os riscos de conflitos civis na Venezuela, o que poderia gerar instabilidade na região.

Celso Amorim

E então, o que está achando até aqui deste material de atualidades para o seu concurso? Deixe um comentário com suas impressões, dicas de conteúdo e críticas!

Venezuela: uma ditadura?

Atualidades para Concurso - Venezuela

Para o jornal El País, segundo afirmou em editorial, a Venezuela está a um passo de se tornar um estado autoritário, porque despreza “a pluralidade política existente no país, o desejo popular expresso nas urnas e a vontade da comunidade internacional de facilitar uma saída para a crise política” que tanto assola a população.

A primeira é a vexatória tática procrastinadora de impedir em tempo e forma a realização de um referendo revogatório que, segundo as pesquisas, desterraria Maduro do poder e acabaria com 18 anos de chavismo. O descumprimento sistemático dos prazos legais, os obstáculos colocados para que a oposição reúna os requisitos, a escassez injustificada de material para a verificação de assinaturas e o absurdo de prazos quase impossíveis de cumprir representam uma coleção de argúcias que desacreditam totalmente qualquer insinuação de boa vontade de Maduro no sentido de respeitar uma lei idealizada e promulgada pelo próprio Hugo Chávez.

El País

O governo Temer tem um discurso bem crítico ao governo venezuelano, contrariando as prisões dos opositores como uma “escalada autoritária do governo chavista”. O Itamaraty avalia a possibilidade de excluir o país do Mercosul.

Segundo a Associação Médica da Venezuela, o que eles estão vivendo é um “holocausto da saúde”, em que os hospitais vivem mais de 95% da falta de medicamentos”, enquanto, nas farmácias, a falta é de 85%.

Para o professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, a posição do Brasil, e até da Argentina, deveria ser outra:

É complicado para qualquer governo, mesmo para os autoritários, aceitar ajuda humanitária, pois fazê-lo é um reconhecimento óbvio de fracassos severos na política econômica (em particular no caso da Venezuela, tendo em vista que a crise não pode ser atribuída a um fator externo, como uma má colheita ou uma crise generalizada na região). Ainda assim, convencer um país a aceitar auxílio humanitário é muito mais fácil do que mediar com êxito as negociações entre um governo e a oposição, algo que sempre gera apreensões sobre a questão da soberania. É o mínimo que Brasil e Argentina podem fazer depois dos benefícios que a bonança da Venezuela lhes trouxe por anos.

Oliver Stuenkel

A situação do Brasil e da Argentina

Atualidades para concurso: América Latina

Entretanto, ambos os países também se encontram em situação de crise. Em 2001, a Argentina perdeu a confiança dos investidores e de empresas estrangeiras, diminuindo os empréstimos internacionais. Isso ocorreu porque o país anunciou que não conseguiria arcar com a dívida pública de US$ 100 bilhões. A entrada de dólar no país despencou, dependendo somente da exportação do agronegócio, mas até o setor perdeu a competitividade. Por isso, a Argentina não tem sido capaz, desde então, de financiar as contas externas ou de manter as reservas nacionais.

Entretanto, os próprios argentinos não confiavam no sistema financeiro do país, e começaram a guardar dólares em casa mesmo, o que fez com que a demanda no sistema se tornasse ainda maior. A inflação também se tornou um problema. Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Censo (Indec), em 2013 a inflação foi de 10,9%. Entretanto, assim como na Venezuela, a crença dos estudiosos é que os dados sejam falsos, e que a inflação daquele ano foi de no mínimo 28%, grande, mas ainda muito menor que a venezuelana.

Atualmente, a Argentina tem a inflação acima dos 40% anuais. As medidas de aumento de até 700% nos serviços públicos (luz, gás e transporte) foram suspensas pela Justiça. Mas o desemprego continua crescendo. Segundo a consultoria CCR, o poder da compra do cidadão argentino caiu, e com ele, o consumo: 3,6% em abril e 2,6% nos quatro primeiros meses.

O Brasil também se assemelha aos outros países na questão da crise. E o cenário se estende aos outros dois países, porque eles exportam ao Brasil, como é também o caso do Paraguai e Uruguai. No primeiro trimestre de 2016, as exportações argentinas para o Brasil caíram em 27,9%. Mesmo assim, o país ainda é um dos maiores fornecedores, ao lado dos Estados Unidos, China e Alemanha. A Venezuela sofreu no seu comércio com o Brasil (e restante da América) porque a falta de cumprimento de pagamentos fez com que o país ficasse desacreditado.

A situação da Argentina com o presidente Macri se assemelha a muito à relação do Brasil com o presidente Temer. Apesar de Macri ter sido escolhido diretamente pelas eleições, os dois ganham cada vez mais resistência da população dos seus países. Com políticas neoliberais exacerbadas, a Argentina (muito sindicalizada) e o Brasil lutam para conter o retrocesso da conquista de direitos dos últimos 15 anos.

A análise da comparação entre os presidentes e os países é de Eric Nepomuceno, jornalista e escritor:

Em outra coincidência com o que acontece por aqui, Macri coalhou seu governo e as principais empresas estatais com altos executivos extraídos diretamente de setores da iniciativa privada cujos interesses estão exatamente na mesma área. Se aqui o interino Temer pescou entre os dirigentes (e também acionistas) do Itaú o novo presidente do Banco Central, máxima autoridade reguladora justamente do mercado financeiro, na Argentina o efetivo e legítimo (afinal, foi eleito pelo voto popular) Macri pescou em multinacionais altos executivos designados para ministérios e secretarias nacionais que controlam a mineração, o petróleo, o transporte, as concessões de infraestrutura, além, claro, da equipe econômica.

Impressiona a velocidade olímpica com que o novo governo eliminou subsídios sociais, suspendeu das exportações impostos que ajudavam a manter baixos os preços de produtos de primeira necessidade no mercado interno. A explosão inflacionaria derreteu parte consistente do comércio, liquidando pelo menos 150 mil empregos no setor varejista de março para cá. Só no primeiro semestre de 2016, e apesar dos dissídios que concederam aumentos substanciais aos salários, o poder aquisitivo real dos trabalhadores argentinos retrocedeu 12%.

Eric Nepomuceno

Segundo o Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais, o Brasil está à deriva no cenário internacional, e projeto do Mercosul que deveria ter se fortalecido, em integração frente à crise, falhou:

Na eventualidade da crise global, ao invés de investir em saídas comuns, os países optaram por políticas soberanistas, desacelerando – ao invés de aprofundar – os mecanismos financeiros e econômicos que poderiam ter oferecido boas ferramentas não só para enfrentar a crise, mas, ao fazê-lo, para fortalecer a própria integração.

O contexto é difícil, pois aponta para a crescente tendência de aprofundamento de uma fase de “desglobalização”, confirmada, entre outras, pelas vitórias do Brexit e de Trump, que evidenciaram o cansaço, sobretudo das classes médias, em relação aos resultados negativos da aplicação dos princípios do neoliberalismo econômico no mundo: concentração extrema das riquezas, instabilidade financeira, desigualdade e pobreza crescente entre países, desemprego e/ou empregos piores, migrações forçadas, entre os mais gritantes.

Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais

DICA: escreva um texto sobre o que você acabou de ler. É uma boa forma de fixar melhor o assunto.

Alguns links de atualidades para aprofundar este tema

O que aprendemos neste artigo

Hoje demos uma olhada panorâmica sobre os principais problemas que rondam a América Latina. Falamos não só do que vive a Venezuela, país que está no centro das discussões políticas no continente, mas também o Brasil, a Argentina e o Mercosul, como um todo.

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