Lógica de Argumentação: aprenda definitivamente e não erre na prova!

Lógica de Argumentação

A Lógica de Argumentação é um dos tópicos previstos na disciplina Raciocínio Lógico, um dos grandes entraves para grande parte dos candidatos a concurso público. Se você também sofre com esse desafio, fique tranquilo. Chegou a hora reverter esse quadro!

Neste artigo vamos abordar profundamente esse assunto, de modo que não sobre qualquer dúvida sobre Lógica de Argumentação e conteúdos derivados.

Não perca a oportunidade de aprender todo o assunto neste artigo. Caso fique com alguma dúvida, deixe um comentário falando sobre sua dificuldade.

Pra mim é importantíssimo fecharmos com qualidade esse tópico, para que não reste dúvidas para a prova do seu concurso.

Vamos nessa!

O que é Lógica de Argumentação

A Lógica de Argumentação pode ser entendida como o estudo criterioso da correção de um raciocínio.

Leia o que diz um dos grandes teóricos da lógica, Cezar Mortari, em seu livro “Introdução à Lógica”:

A Lógica não procura dizer como as pessoas raciocinam (mesmo porque elas “raciocinam errado”, muitas vezes). Mas se interessa primeiramente pela questão de se aquelas coisas que sabemos ou em que acreditamos – o ponto de partida do processo – de fato constituem uma boa razão para aceitar a conclusão alcançada, isto é, se a conclusão é uma consequência daquilo que sabemos.

Ou, em outras palavras, se a conclusão está adequadamente justificada em vista da informação disponível, se a conclusão pode ser afirmada a partir da informação que se tem.

Cezar Mortari

Podemos substituir a palavra “raciocínio” pela palavra “inferência”, ou seja, o ato de concluir algo a partir de duas ou mais informações conhecidas. A Lógica de Argumentação analisa a validade dos raciocínios e das inferências.

Por exemplo, considere as seguintes informações:

Todo padre é homem. José é padre. Logo, José é homem.

A partir de duas “informações” (Todo padre é homem/José é padre) chegamos à conclusão de que José é homem.

A Lógica de Argumentação verifica justamente se raciocínios assim são válidos.

Com essa noção geral, vamos para os conceitos específicos, para que tudo fique mais claro e preciso.

O que é proposição

A partícula básica do estudo da Lógica de Argumentação é a proposição, que nada mais é que a expressão linguística que pode ser verdadeira ou falsa.

Citando outro grande teórico da Lógica, Irving Copi, fica mais fácil compreender:

As proposições são verdadeiras ou falsas, e nisto diferem das perguntas, ordens e exclamações.

Só as proposições podem ser afirmadas ou negadas; uma pergunta pode ser respondida, uma ordem dada e uma exclamação proferida, mas nenhuma delas pode ser afirmada ou negada. Não é possível julgá-las como verdadeiras ou falsas.

Irving Copi

Retomando o nosso exemplo, podemos dizer que “Todo padre é homem” é uma proposição, assim como as duas outras afirmações – José é padre/Logo, José é homem.

Eu tanto posso afirmar essas expressões como negá-las.

(Alguns autores chamam as proposições de enunciado ou sentença. Mas o termo proposição é muito mais comum).

O que é um argumento?

O que é um argumento

Agora que sabemos o que é uma proposição, fica mais fácil entender o que é um argumento.

Vou citar novamente Copi:

Um argumento é qualquer grupo de proposições tal que se afirme ser uma delas derivada das outras, as quais são consideradas provas evidentes da verdade da primeira.

Irving Copi

Sim, o exemplo citado acima é um argumento. A proposição “José é homem” é derivada das proposições anteriores – Todo padre é homem/José é padre.

Um argumento é dividido em algumas partes. Entenda melhor a seguir.

Premissas e conclusões

A conclusão de um argumento é a proposição encontrada ao final da análise das premissas, que são as proposições iniciais.

Voltemos ao nosso exemplo:

PREMISSA 1: Todo padre é homem.

PREMISSA 2: José é padre.

CONCLUSÃO: José é homem.

Veja mais um exemplo para você fixar melhor o que são as premissas e as conclusões:

PREMISSA 1: Nenhum boi bebe vinho.

PREMISSA 2: Russo é um boi.

CONCLUSÃO: Russo não bebe vinho.

Compreendeu?

Se você teve alguma dúvida até aqui deixe um comentário para que possamos sanar suas dificuldades.

Verdade e Validade

Quando estamos falando de Lógica de Argumentação não importa muito se as proposições são verdadeiras ou não.

Considere o argumento a seguir:

PREMISSA 1: Toda planta tem asas

PREMISSA 2: A laranjeira é uma planta

CONCLUSÃO: A laranjeira é uma planta

Esse é um argumento válido, mesmo que as proposições que o integram sejam falsas.

Validade diz respeito à correção do raciocínio. Verdade diz respeito à correspondência entre o que se afirma e a realidade.

Para a lógica, não importa se as proposições são verdadeiras ou falsas, quem estuda isso são as outras disciplinas. Na biologia, seria absurdo dizer que uma planta tem asas.

A lógica não se preocupa com isso. O importante é que o raciocínio desenvolvido está correto.

Argumento conjuntivo

Agora vamos começar a conhecer alguns tipos de argumento. O primeiro deles é o argumento conjuntivo.

Os argumentos conjuntivos são aqueles em que ocorre a conjunção “e” em alguma das premissas. Veja um exemplo:

PREMISSA 1: Todo padre é homem e possui nível superior.

PREMISSA 2: José é padre.

CONCLUSÃO: José é homem e possui nível superior.

A conjunção nos leva à ideia de intersecção. Ou seja, um ou mais elementos que faz parte de mais de um conjunto. Nesse caso, “padre” faz parte do conjunto dos homens e do conjunto do nível superior.

😉

Argumento disjuntivo

Os argumentos disjuntivos são aqueles onde pelo menos uma das premissas possui uma disjunção “ou”.

Veja o exemplo a seguir:

PREMISSA 1: Todo padre é homem ou tem nível superior.

PREMISSA 2: Padre José é homem.

CONCLUSÃO: Padre José não tem nível superior.

A disjunção traz a ideia de exclusividade de um elemento em relação a dois conjuntos. No nosso exemplo, quem é padre não pode ser, ao mesmo tempo homem e ter nível superior. Se for um dos dois, não é o outro.

Argumento condicional

Esse é um tipo de argumento bastante comum para ser analisado em provas de concursos. Caracteriza-se pela utilização da forma “Se… Então…”.

Entenda melhor:

PREMISSA 1: Se o Palmeiras é campeão, irei comemorar.

PREMISSA 2: O Palmeiras é campeão.

CONCLUSÃO: Irei comemorar.

Esse tipo de argumento é bem autoexplicativo. A premissa impõe uma condição para que algo ocorra.

Argumento bicondicional

Nesse caso, a expressão que caracteriza o argumento é “se, e somente se…”.

Veja um exemplo:

PREMISSA 1: O padre reza a missa se, e somente se, for domingo.

PREMISSA 2: O padre reza a missa.

CONCLUSÃO: É domingo.

Argumento Dedutivo

Você já ouviu falar da diferença entre dedução e indução? Ter essa compreensão é bastante importante na Lógica de Argumentação.

Primeiro, vamos conhecer o que é um argumento dedutivo. Ele ocorre quando partimos do geral para o particular.

A conclusão do argumento está implícito nas premissas, como no nosso primeiro exemplo:

PREMISSA 1: Todo padre é homem.

PREMISSA 2: José é padre.

CONCLUSÃO: José é homem.

Argumento Indutivo

Já no argumento indutivo ocorre o contrário, passamos do particular para o geral. Ou seja, a partir da observação de vários casos particulares chegamos a uma conclusão geral.

Veja um exemplo:

PREMISSA 1: Os padres do Hemisfério Norte são homens.

PREMISSA 2: Os padres do Hemisfério Sul são homens.

CONCLUSÃO: Todos os padres são homens.

O que são falácias

Falácia - Lógica de Argumentação

Provavelmente você já deve ter ouvido falar que alguém estava dizendo uma falácia. Você sabe o que isso significa? Sabia que isso tem muito a ver com Lógica de Argumentação?

Falácia nada mais é que um argumento inválido. É quando alguém utiliza premissas que parecem sustentar a conclusão, mas que, após uma análise criteriosa percebe-se que a sustentação é inválida.

A seguir, 4 tipos de falácias bastante comuns:

Falácia do falso dilema

Quando limitamos as opções de escolha a um dilema, escondendo as demais possibilidades existentes.

Exemplo: ou vota no PSDB, ou vota no PT.

Na verdade, é possível votar em qualquer outro partido político.

Falácia do apelo à Ignorância

É quando consideramos que algo é verdadeiro só porque não há provas de que é falso.

Exemplo: existe vida após a morte. Nunca se provou o contrário!

O fato de não ter sido provado o contrário não garante que há, de fato, vida após a morte.

Falácia ad hominem

É quando desconsideramos a verdade para atacar quem profere a verdade.

Exemplo: João nunca jogou futebol, então não pode falar sobre as regras de uma partida.

Mesmo não tendo jogado futebol, João pode saber as regras de uma partida.

Falácia do apelo à autoridade

Nesse caso, consideramos um argumento verdadeiro apenas porque determinada autoridade falou.

Exemplo: Caetano Veloso disse que o violão tem cinco cordas. Como ele é um grande violonista, a afirmação é verdadeira.

A autoridade de Caetano Veloso como violonista não torna verdadeira a afirmação.

Se interessou no tema das falácias? Baixe aqui o Guia das Falácias, com bastante exemplos bem interessantes (em PDF)!

Tabela de Verdade

Uma ferramenta bastante utilizada para verificar a validade de argumentos em provas de concurso é a chamada Tabela de Verdade.

A Tabela de Verdade simula possibilidades de relações entre premissas nos diversos tipos de argumento, mostrando a conclusão que é obtida como resultado.

Escrevi um artigo completo sobre o assunto: Tabela de Verdade: o Guia Completo para nunca errar no seu Concurso

Questões de Lógica de Argumentação

Questões de Lógica

Agora vamos responder algumas questões de Lógica de Argumentação que caíram em concursos recentes.

Responder questões é importante para que saibamos na prática como o assunto que estudamos é cobrado pelas bancas:

BANCA: IBADE/2017

Sabe-se que se Zeca comprou um apontador de lápis azul, então João gosta de suco de laranja. Se João gosta de suco de laranja, então Emílio vai ao cinema. Considerando que Emílio não foi ao cinema, pode-se afirmar que:

a) Zeca não comprou um apontador de lápis azul.

b) Emílio não comprou um apontador de lápis azul.

c) Zeca não gosta de suco de laranja.

d) João não comprou um apontador de lápis azul.

e) Zeca não foi ao cinema.

REPOSTA CERTA: letra “A”

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BANCA: FCC/2016

Considere que todo técnico sabe digitar. Alguns desses técnicos sabem atender ao público externo e outros desses técnicos não sabem atender ao público externo. A partir dessas afirmações é correto concluir que

a) os técnicos que sabem atender ao público externo não sabem digitar.

b) os técnicos que não sabem atender ao público externo não sabem digitar.

c) qualquer pessoa que sabe digitar também sabe atender ao público externo.

d) os técnicos que não sabem atender ao público externo sabem digitar.

e) os técnicos que sabem digitar não atendem ao público externo.

RESPOSTA CERTA: letra “D”

***

BANCA: COPEVE-UFAL/2016

Qual dos argumentos é válido?

a) Natália vai à praia se Beto for. Logo, Natália não vai a praia, pois Beto não vai.

b) Jorge ou Antônia gostam de ir à praia. Assim, Jorge gosta de ir à praia, pois Antônia também gosta.

c) Se Joana não estuda, então dorme cedo. Sabe-se que Joana estuda. Logo, Joana não dorme cedo.

d) Pedro é nutricionista. Se Pedro cuida de sua saúde, então é nutricionista. Logo, Pedro cuida de sua saúde.

e) Se Paula não é médica, então não pode prescrever medicamentos. Como Paula pode prescrever medicamentos, ela é médica.

RESPOSTA CERTA: letra “E”

***

BANCA: Cespe/2016

As proposições seguintes constituem as premissas de um argumento.

  • Bianca não é professora.
  • Se Paulo é técnico de contabilidade, então Bianca é professora.
  • Se Ana não trabalha na área de informática, então Paulo é técnico de contabilidade.
  • Carlos é especialista em recursos humanos, ou Ana não trabalha na área de informática, ou Bianca é professora.
  • Assinale a opção correspondente à conclusão que torna esse argumento um argumento válido.

a) Carlos não é especialista em recursos humanos e Paulo não é técnico de contabilidade.

b) Ana não trabalha na área de informática e Paulo é técnico de contabilidade.

c) Carlos é especialista em recursos humanos e Ana trabalha na área de informática.

d) Bianca não é professora e Paulo é técnico de contabilidade.

e) Paulo não é técnico de contabilidade e Ana não trabalha na área de informática.

RESPOSTA CERTA: letra “C”

O que aprendemos neste artigo

Hoje nos aprofundamos no estudo da Lógica de Argumentação, um dos tópicos mais importantes da disciplina Raciocínio Lógico.

Vimos os conceitos de Argumento, Proposição, Verdade e Validade, os tipos de argumento e muito mais. Compreendemos o que são as falácias e, ao final, respondemos questões para treinar um pouco o que foi apresentado no artigo.

Agora preciso de você!

Finalizando esse artigo, gostaria de convidá-lo a deixar um comentário dizendo o que achou do texto. Pra mim é essencial contar com a sua participação, para orientar a publicação dos conteúdos aqui no Segredos de Concurso.

Peço que, caso tenha alguma dúvida, crítica ou sugestão, deixe também no seu comentário. Faço questão de ler cada palavra, e respondo na primeira oportunidade que surge.

Até a próxima!

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